O estilo coreográfico resultante foi assim descrito no catálogo comemorativo dos quinze anos da Companhia:
"A dança de Regina Miranda estende afeições para a literatura, para a música, para o teatro, para a arquitetura. Mas tem sido especialmente para as artes visuais o encontro de uma parceria para seus trânsitos mais freqüentes. Voz da modernidade, pratica deslocamentos como quem anuncia um modo de estar.
Uma visada mais rápida, pode parecer que tudo se acomoda tão somente no cruzamento com o teatro. Mas não. O teatro é como a água com que ela amolece seus elementos e os amalgama. Ou seja, com o teatro, Regina Miranda cria um outro espaço. Daí que o grupo se chame Atores Bailarinos, não espanta.
Olho plástico que trespassa o movimento, devolve-o, sempre incrustado num espaço – talvez um espólio da sua formação em Laban. E sendo o espaço como que um fio com que ela encordoa o gesto, tudo passa a se organizar assim, encharcado dele/ nele.
É neste sentido, também, que Regina celebra seus acordos inter-artes: como ampliações do espaço de cada qual. A literatura, por exemplo, não funciona no viés tradicional de inspiração literária. Os textos são tomados pela corporalidade que descobre nas suas dobras. Uma ambição matérica que norteia os apossamentos das outras artes e tempera o tratamento que dá à própria dança que, assim, se torna uma dança própria."Helena Katz – Pesquisadora e Crítica de Dança - 1995